Luna demorou a adormecer naquela noite.
Não porque estivesse inquieta, mas porque o corpo se recusava a baixar a guarda. A revelação de Elias ecoava dentro dela como um sino que não cessava. Cada detalhe, cada palavra dita pelo menino, rearranjava o passado de forma irreversível.
Isabella estivera lá.
Não como sombra distante, não como suspeita abstrata — mas presente. Próxima. Atuante.
Quando finalmente o sono chegou, veio raso, fragmentado, povoado por imagens de corredores hospitalares, portas mal fechadas e passos apressados que nunca eram alcançados.
O amanhecer trouxe um céu cinza, pesado.
Luna levantou-se antes de todos. Preparou o café em silêncio, como fazia nos dias em que precisava organizar pensamentos antes de enfrentar pessoas. O cheiro forte se espalhou pela cozinha, trazendo uma estranha sensação de normalidade — quase ofensiva diante do que estava por vir.
Adrian desceu pouco depois.
O rosto cansado denunciava que ele também não dormira bem. Ainda assim, havia algo di