A madrugada chegava sempre da mesma forma: sem pedir licença.
Não era o silêncio que denunciava a hora, mas o peso dele. Um silêncio que não descansava — observava. Como se tudo o que havia sido dito durante o dia agora se organizasse em camadas invisíveis, esperando para ser sentido.
Ela estava sentada à beira da cama, o lençol escorregando lentamente pelos ombros, sem pressa de cobrir o que já não precisava mais ser escondido. O quarto ainda carregava vestígios de presença: o cheiro, o calor