A manhã chegou diferente.
Não houve pressa, nem sobressaltos. A luz atravessou as cortinas com uma delicadeza quase irônica, como se ignorasse completamente o que havia sido decidido na madrugada. O mundo seguia seu curso habitual, alheio às pequenas revoluções que acontecem dentro de quartos fechados.
Ela acordou primeiro.
Não porque dormira melhor, mas porque seu corpo havia aprendido, ao longo dos anos, a despertar antes da tranquilidade se tornar descuido. Ficou alguns segundos imóvel, ouvindo a respiração ao lado. Regular. Presente. Real.
Ele ainda dormia.
Havia algo vulnerável em vê-lo assim. Não a vulnerabilidade frágil, mas a que nasce da confiança inconsciente de quem não espera ser atacado enquanto descansa. Ela observou os traços do rosto dele com atenção, como se tentasse memorizar não a aparência, mas o estado.
Era ali que as histórias costumavam falhar.
No momento em que a realidade começava a substituir a intensidade noturna.
Ela se levantou devagar, pegou uma camisa de