A notícia não vazou de imediato.
Primeiro, veio o silêncio.
Um silêncio denso, organizado, quase cirúrgico — o tipo de silêncio que antecede movimentos calculados. Luna percebeu isso ainda naquela tarde, quando os funcionários passaram a evitar o olhar direto e as portas começaram a se fechar com mais cuidado do que o normal.
Nada explodiu.
E isso era o mais perigoso.
Adrian passou o resto do dia em ligações curtas, objetivas, sempre com a porta do escritório fechada. Não elevou a voz uma única vez. Mas Luna sabia: quando ele ficava excessivamente controlado, era porque o mundo ao redor estava tentando empurrá-lo para fora do eixo.
Elias não falou mais.
Depois da reunião, recolheu-se a um silêncio diferente do anterior. Não era retração. Era exaustão. Como alguém que finalmente diz algo essencial e paga o preço físico por isso.
Luna ficou com ele no quarto, sentada no chão, encostada na cama.
— Você se arrepende? — perguntou, com cuidado.
Elias pensou por alguns segundos.
— Não — diss