Isabella Turner não acreditava em impulsos.
Acreditava em cálculo.
Por isso, quando sentiu a urgência subir pelo peito naquela noite, soube que algo estava errado — não no mundo, mas nela.
O apartamento permanecia silencioso demais. Nenhuma ligação. Nenhuma atualização. Nenhuma confirmação externa de que ainda havia alguém segurando as bordas por ela.
Isabella caminhou até o bar, serviu-se de um uísque que não pretendia beber e deixou o copo intocado sobre a bancada. O reflexo no vidro devolveu-lhe um rosto impecável, mas os olhos denunciavam fadiga.
— Não agora — murmurou para si mesma.
Mas o agora já estava instalado.
Pegou o telefone e discou um número que não usava havia anos.
Não constava em agenda.
Não estava salvo.
Era decorado.
Chamou uma vez.
Duas.
— Isabella — atendeu a voz masculina, surpresa mal disfarçada. — Pensei que nunca mais ligaria.
— Eu não ligaria — respondeu ela, sem rodeios. — Se não fosse necessário.
Do outro lado, uma breve pausa.
— Isso nunca é bom sinal.
— P