Lorena Azevedo
Eu não queria que fosse assim.
Durante todos esses meses em que Santa Teresa foi meu refúgio, eu ensaiei mil vezes o que diria se o Rafael Ventura cruzasse o meu caminho novamente. Eu queria ser pedra. Queria ser gelo. Queria olhar nos olhos dele com a frieza de quem enterrou o passado e dizer que ele não passava de uma lembrança amarga. Eu não queria o Rafael aqui. Não queria que ele soubesse onde eu morava, não queria que ele visse a minha vulnerabilidade, e, acima de tudo, não