Rafael Ventura
Assisti ao vulto da Tati desaparecer pelas portas de vidro do hotel como se ela tivesse levado consigo o último oxigênio daquele lobby. Eu estava paralisado. O som ao meu redor — o tilintar de taças no bar, o burburinho de turistas, o trânsito frenético de Copacabana — tudo parecia um ruído branco, distante.
As palavras dela ainda chicoteavam minha mente: Oito meses.
A conta era matemática. Cruel e exata. Se ela estava de oito meses, a concepção aconteceu quando ainda estávamos j