Tati Souza
Eu nunca fui de levar desaforo para casa. Em Minas, meu pai dizia que eu tinha sangue de pimenta e língua de navalha. Ver a Lorena naquele estado, sentada num banco de cimento na porta de serviço daquele hotel, pálida como um defunto e protegendo aquela barriga de oito meses como se o mundo fosse desabar, quebrou algo dentro de mim.
Depois que chegamos em casa, o silêncio na nossa pequena sala em Santa Teresa era ensurdecedor. Preparei um chá de camomila forte, daquele que acalma até