Rafael Ventura
Ela tava ali.
Nua.
Virada de costas.
A pele arrepiada mesmo sob o calor do quarto.
O lençol enrolado nas pernas.
O cabelo bagunçado.
O corpo inteiro marcado pela minha boca, minhas mãos, meu pau.
E ainda assim...
ela tava indo embora.
Em silêncio.
Como se aquela porra de noite tivesse sido só mais uma.
Fiquei deitado, o peito subindo e descendo com força.
O suor colando no meu corpo.
A respiração ainda descompassada.
A porra da alma tremendo.
Ela se levantou.
Lenta.
Determinada.