Lorena Azevedo
A chuva ainda batia forte contra o vidro.
Dentro da camionete, o som abafado das gotas misturava com o ronco baixo do motor.
Mas o barulho mais alto era meu coração.
Pulsando no peito.
Na garganta.
No meio das pernas.
Eu não olhava pra ele.
Não podia.
Se encarasse aqueles olhos, minha sanidade ia derreter.
Mas a presença dele era impossível de ignorar.
Grande.
Quente.
Calado demais.
O volante sob as mãos fortes.
A mandíbula travada.
O cheiro de terra e perfume amadeirado que me e