Lorena Azevedo
Dois dias.
Quarenta e oito horas tentando esquecer a boca dele no meu seio.
Tentando esquecer a mão no meu corpo.
A voz no meu ouvido.
Dois dias fingindo que eu era forte.
Acordei cedo.
Tomei banho gelado.
Escolhi a roupa mais comportada que eu tinha.
Calça larga.
Camisa de botão.
Cabelo preso.
Era quase uma freira de avental.
E ainda assim, minha alma tava pelada.
Miguel acordou sorrindo, me deu beijo na bochecha e correu pra arrumar a mochila.
— Tá feliz hoje, mãe? — ele pergun