Lorena Azevedo
Eu não consegui mais ficar do outro lado daquela fresta.
Ver o Rafael espancar a própria coxa com o punho fechado, ouvindo o som abafado dos golpes contra a carne inerte misturar-se ao barulho da água caindo, foi demais para mim. Cada soco que ele desferia contra si mesmo era como se atingisse diretamente o meu peito. A imagem do meu marido — o homem imponente, o meu protetor, o dono daquela terra toda — com a cabeça baixa, os ombros largos tremendo e as lágrimas silenciosas se m