Rafael Ventura
Quatro meses.
Cento e vinte dias compridos, arrastados, amargos. Um verdadeiro inferno encarnado. Eu não conseguia aceitar. Não entrava na minha cabeça que já faziam quatro meses que eu estava preso na porra dessa cadeira de rodas, reduzido a um aleijado impotente. Quatro meses sem sentir o calor da pele da minha Lorena, sem poder me deitar com a minha mulher como homem de verdade, sem sentir o corpo dela colado ao meu, sem fazer o amor bruto e apaixonado que sempre foi a nossa m