Rafael Ventura
Dois meses.
Sessenta dias exatos desde que o meu mundo desabou naquele boqueirão e que a minha vida virou um inferno silencioso. Sessenta dias em que acordo todas as manhãs com a ilusão estúpida de que vou fincar os pés no chão de tábua corrida da fazenda e sair andando, para logo em seguida levar o choque da realidade: um vazio absoluto do umbigo para baixo.
Hoje era o dia marcado para retornar a Belo Horizonte e refazer toda a bateria de exames de imagem e neurológicos. Mas eu