Lorena Azevedo
O silêncio do nosso quarto à noite parecia cada vez mais denso. Saí do banheiro enxugando o corpo devagar, ouvindo apenas o som suave da brisa lá fora. Eu vestia um baby doll preto de renda — um short curto e uma blusa rendada que cobria apenas metade do peito —, uma peça delicada que há muito tempo estava guardada na gaveta. Já se passavam mais de dois meses desde o dia da tragédia. Dois meses em que o nosso amor tinha ficado adormecido sob o peso do luto, da dor e dessa paralis