Rafael Ventura
O sol de Belo Horizonte não tem misericórdia, mas para mim, aquele calor era um batismo. Eu estava no meio do curral, o suor escorrendo pelas minhas têmporas, encharcando a minha camisa de trabalho. Minhas mãos, que horas atrás estavam limpas demais por causa daquela cela maldita, agora estavam sujas de terra, feno e cheiro de bicho. Eu ajudava os peões a carregar os sacos de ração, sentindo o esforço físico nos músculos. Cada quilo que eu levantava era como se eu estivesse desca