Rafael Ventura
O cheiro da delegacia era uma mistura insuportável de café requentado, papel mofado e o suor frio do medo alheio. Eu estava trancado em uma sala de interrogatório pequena, as paredes descascadas pareciam se fechar sobre mim a cada segundo. Minhas mãos, ainda algemadas, batiam nervosamente contra a mesa de metal, produzindo um som oco que ecoava no meu crânio como um tambor de guerra.
Eu não estava calmo. "Calma" era uma palavra que não existia no meu vocabulário desde que aquela