Mundo de ficçãoIniciar sessãoHELOÍSA
A conversa fluiu naturalmente, sem precisar forçar absolutamente nada.
Era incrível como nossa conexão foi imediata.
A química pairava no ar de forma inigualável, era perceptível, já estávamos rindo de coisas que nem eram tão engraçadas assim, mas que soavam absurdamente íntimas quando compartilhadas com um estranho que parecia entender o ritmo da minha respiração.
— Então você veio parar em Fortaleza por acaso? — ele perguntou, girando lentamente o copo entre os dedos, me olhando por debaixo dos olhos escuros astutos e hipnotizantes.
— A trabalho — respondi dando de ombros - Às vezes um trabalho honesto é tudo do que um ser humano necessita.
Ele sorriu de lado, um sorriso preguiçoso e seguro me analisando com extrema atenção
— Gosto de gente honesta.
— Cuidado — provoquei inclinando um pouco meu corpo em sua direção. — Honestidade demais costuma assustar homens que gostam de tentar domar mulheres.
— Não a mim. Nada nessa vida me assusta – umedeceu os lábios me encarando fixamente entrando no meu jogo.
Havia algo nele... não era só beleza — embora isso ajudasse — mas a forma como me olhava, como se eu fosse a única coisa interessante naquele bar inteiro. Não me interrompia. Não tentava me impressionar. Apenas… interagia e me deixava ser eu mesma e isso, confesso que me agradou além do imaginado.
E eu, que vinha tentando me manter fechada em relação aos homens, comecei a relaxar instantaneamente.
— Você é uma bela mulher — ele disse, em dado momento, me pegando de surpresa
Sorri sentindo-me lisonjeada - Obrigada
— Se fosse para brigar eu não teria elogiado – caí na risada do seu trocadilho , enquanto em sus lábios havia a sombra de um sorriso, uma vez em que ele virava a bebida em sua boca com os olhos escuros pregados em mim.
-Então o que devo responder? - aticei
— Nada. Somente me permita contemplar tamanha beleza.
-Então vamos brindar a isso. - propus tocando meu copo no dele, enquanto a tensão sexual se fazia presente em nosso meio
Bebemos.
Em dado momento , ele me convidou para sair do bar e eu fui é claro, e nem mesmo sei como chegamos até lá. Ao entrar em seu carro, não sabia se dirigia ou se mantinha a mão em minhas coxas , e assim que a porta do seu apartamento se fechou atrás de nós o mundo lá fora deixou de existir.
E o resto… ficou guardado na minha pele.
Na memória do toque firme, da presença intensa, da forma como me senti desejada sem precisar me provar. Não era fuga. Também não era promessa. Era só um momento suspenso no tempo, em que eu não era a mulher traída, nem a funcionária humilhada, nem a recém-chegada cheia de medo.
Eu era apenas Heloísa e me permiti ser pelo menos naquela noite.
***
Acordei antes do sol.
O quarto ainda estava envolto numa penumbra azulada, o silêncio cortado apenas pela respiração profunda dele ao meu lado.
Virei o rosto devagar, observando abobalhada o quanto o macho era bonito.
Ele dormia lindamente
Os cabelos negros, fartos e cheios, estavam levemente bagunçados contra o travesseiro. A barba por fazer desenhava um contraste perfeito com a pele morena e o rosto simétrico. O tórax exposto subia e descia num ritmo tranquilo, revelando um corpo escultural, forte e definido — o tipo de corpo que denunciava disciplina e uma pegada fora do normal.
Engoli em seco.
Minha mente, traidora, trouxe flashes da noite passada, da química louca que estourou entre nós, da segurança quase primitiva com que ele me puxava para perto e me possuía.
Meu rosto esquentou automaticamente.
— Desperta desse sonho Heloísa-sussurrei para mim mesma.
Aquilo era exatamente o tipo de coisa que eu precisava evitar.
Envolvimento.
Isso aqui , não havia passado de sexo.- tentei me convencer do óbvio.
Levantei-me com cuidado extremo, como se estivesse escapando de um campo minado emocional. Vesti minhas roupas em silêncio, peguei a bolsa e olhei para ele uma última vez.
Contemplando a beleza avassaladora do homem, me sentindo a própria super girl ,por ter pegado um desses.
Posso confessar que nem nos meus maiores sonhos de barriga cheia , imaginei que um dia dormiria com um homem como esse.
Ainda podia sentir o seu cheiro impregnado em minha pele, e se pudesse não tiraria nunca mais.
Me dei um choque de realidade e fechei a porta atrás de mim sem fazer barulho.
O ar da manhã me acertou em cheio quando saí do prédio, trazendo comigo aquela sensação agridoce de algo bom que termina antes de dar errado. Chamei um táxi e segui para casa, o corpo cansado, mas a mente estranhamente leve.
Sentia-me como se fosse uma nova mulher, um sorriso idiota não saía do meu rosto.
Quando entrei no apartamento da Débora, ela estava sentada no sofá, com braços cruzados e expressão preocupada.
— Onde você estava? — perguntou, antes mesmo que eu fechasse a porta. — Eu tentei te ligar a noite inteira. Meu Deus, Heloísa! Quase liguei para a polícia.
— A noite inteira? — franzi a testa, tirando os sapatos.
— Sim! Umas dez vezes! - arregalou os olhos para mim abrindo os braços
Peguei o celular na bolsa e entendi tudo.
Meu celular havia descarregado
— Droga… — ri, sem culpa. — Me desculpa , a bateria morreu.- Virei a tela do celular para ela , a expressão de Débora ameniza . - Porém, acho que me dei bem demais.
Ela estreitou os olhos.
— Como assim?
Sentei-me ao lado dela, ainda com um sorriso largo demais para disfarçar a euforia.
— A noite foi simplesmente incrível!. Sério. Obrigada por ter organizado o encontro.
Débora piscou.
Uma vez.
Duas.
— Heloísa… — ela começou devagar me olhando de forma estranha. — O cara que eu marquei nunca te encontrou.
Meu sorriso se desfez no mesmo segundo.
— Como assim? -perguntei em estado de choque - Do que é que você está falando? - meu coração disparou.
— Ele ficou no bar, esperou um tempo, achou que você tinha desistido- ela gesticulava ansiosamente -… E foi embora mais cedo. — Débora me encarou, confusa. — Eu tentei te ligar depois disso. Várias vezes, mas só caia na caixa postal.
O mundo pareceu dar uma leve inclinação a medida em que eu tentava me situar e não surtar.
Havia dormido com um completo desconhecido?
Meu senhor amado....e se fosse um assassino em série?
Minha garganta ficou seca com o pensamento atormentador, por mais que o cara fosse um Deus em toda a sua glória.
— Então… — minha voz saiu baixa, quase inaudível. Encarei o além — Com quem foi o homem que eu passei a noite?.







