HELOÍSACheguei à mansão com uma mala pequena na mão e o coração grande demais no peito, era uma mistura de nervosismo e ansiedade. Era estranho pensar que aquele lugar agora fazia parte da minha rotina, como alguém que ficaria ali a semana inteira, dormindo sob aquele teto alto, seguindo regras que ainda não conhecia por completo. O portão se abriu como da primeira vez, solene, e eu respirei fundo antes de descer do carro. É só um trabalho, repeti mentalmente. Um recomeço. Matilde já me aguardava no hall, impecável como sempre, mãos cruzadas à frente do corpo, postura firme e olhar atento. — Bom dia, senhorita Heloísa. Vejo que trouxe seus pertences — disse, sem sorrir, mas sem frieza excessiva. — Bom dia, dona Matilde — respondi. — Trouxe só o essencial. — Ótimo. A senhorita ficará durante a semana. Os finais de semana serão de folga, como já foi informado. Agora venha, vou lhe passar as instruções iniciais. Seguimos pelo corredor largo enquanto ela falava com a precisão d
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