Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 6
James Bellerose Desde que o contrato foi assinado, tudo mudou. Não do lado de fora, no papel, era apenas um acordo. Mas dentro de mim, algo se deslocou. Um gatilho silencioso foi ativado. E agora, ela não era mais minha secretária. Era minha “namorada contratada”. Um papel que ela assumiu com a calma de quem mergulha num oceano sem saber nadar. Mas o que ela não percebeu e talvez jamais perceba é que eu sou o oceano. Ela saiu da sala com uma dignidade inquietante. Mesmo sabendo o que aquele acordo representava, mesmo ciente de que estava entrando no meu mundo, Louise manteve a cabeça erguida. Isso me desarma mais do que qualquer decote ou vestido justo. O orgulho dela me fascina, o dever de ajudar a tia era maior que tudo, não era por ela, era por um bem maior. Passei o resto do dia com a mente longe dos contratos reais, e focado apenas naquele que acabamos de firmar. Ver seu nome, a assinatura pequena e cuidadosa no fim da folha... era como olhar para algo precioso demais para tocar. Ela seria minha por seis meses. Mas o que exatamente "minha" significava? Essa parte eu ainda ia descobrir. Na manhã seguinte, mandei uma mensagem breve: “19h. Te busco em casa. Evento formal. Vista-se como alguém que deveria estar ao meu lado se vestiria.” Sem emojis. Sem explicações. Ela entenderia. Não esperei resposta. Às 18h30, o carro já estava estacionado na rua do apartamento simples onde ela morava com a tia. Mandei mensagem para avisar que estava ali. Cinco minutos depois, ela desceu. E eu perdi o fôlego. Louise usava um vestido verde escuro longo, de uma alça só, e tecido encorpado, que delineava seu corpo de forma elegante e discreta. O cabelo preso num coque impecável deixava à mostra o pescoço delicado, e os brincos de pérola realçavam a suavidade da pele. A mesma mulher que usava óculos de lentes grossas, que se escondia atrás de terninhos fechados até o pescoço, agora parecia... inalcançável. Ela abriu a porta do carro e entrou. Sentou-se com elegância e manteve as mãos sobre o colo. — Está nervosa? — perguntei, observando seu perfil. — Um pouco. Nunca fui a um evento desse tipo. — Você vai se sair bem. Ela olhou para mim de lado, os olhos castanhos intensos. — Isso é parte do contrato ou... você realmente acredita nisso? Sorri, sincero. — É uma constatação, Louise. Você tem presença. Só precisa parar de tentar se esconder o tempo todo, do mundo. Ela desviou o olhar, mordendo o lábio inferior. Aquilo fez meu sangue ferver. Tive que me virar ligeiramente, afastando o corpo do dela. — Esse evento é beneficente — expliquei, tentando manter o foco. — Um leilão silencioso em favor da fundação da minha mãe. Vão estar lá empresários, jornalistas, políticos. Preciso que finja com perfeição. Olhares, toques, sorrisos. É um teatro. Você consegue atuar? Ela assentiu, firme. — Sim. Mas, como combinamos, nada forçado. — Claro. Vamos parecer um casal real... até onde seus limites permitirem, minha doce garota. Ela relaxou no banco, mas eu sabia que por dentro ela estava uma bagunça. E, para minha surpresa, eu também. O salão da fundação Bellerose estava lotado. Luzes suaves, música instrumental, garçons circulando com bandejas de champanhe e pratos refinados. Ao descermos do carro, estendi a mão para ela. — Vamos encarar o mundo, senhorita Brown? Ela respirou fundo e segurou minha mão. O toque dela ainda era hesitante, mas firme o suficiente para dizer que estava tentando. Caminhamos lado a lado até a entrada. O som das conversas cessava por onde passávamos. Eu estava acostumado com os olhares. Ela não. Senti a mão dela tremer levemente na minha. — Olhe pra mim — sussurrei, sem parar de caminhar. — Você está incrível. Não deixe que eles te façam duvidar disso. Ela virou o rosto um pouco e sorriu. Um sorriso pequeno, mas real. E naquele instante... eu soube: ela já estava começando a me dominar, inferno... Apresentações começaram. Cumprimentos vazios, elogios forçados, olhares curiosos demais para serem discretos. Alguns cochichavam. Era inevitável. A mídia inteira me conhecia como um solteiro implacável. Ninguém esperava me ver com uma mulher como Louise. E foi por isso que eu fiz questão de mantê-la perto. Toquei suavemente a base das costas dela ao apresentá-la a dois acionistas importantes. Inclinei-me ao ouvido dela quando alguém fez uma pergunta invasiva demais. Ela suportou tudo com dignidade. E quanto mais tempo passava, mais confiante parecia. Até que vi de relance minha mãe. Ela estava impecável. Como sempre. Sorridente, elegante, poderosa. — James! — ela se aproximou, os braços abertos. — E minha doce e encantadora Louise... Louise sorriu, mas claramente hesitava. — Olá, senhora Bellerose. É um prazer revê-la. — Me chame de Anne, querida. Já é de casa, não é mesmo? Louise corou. Minha mãe me olhou com um ar de quem sabia mais do que dizia. Como se lesse nas entrelinhas. Como se percebesse que havia algo acontecendo, algo mudando em mim, algo que em todos esses anos ela nunca viu. Conversamos por alguns minutos. Ela elogiou Louise, tocou levemente sua mão, e então se afastou com um sorriso discreto, dando espaço para o casal “aproveitar a noite”. Na parte do salão onde o leilão silencioso acontecia, conduzi Louise até uma mesa mais reservada. Garçons serviam champanhe. Um deles ofereceu uma taça para ela. — Está tudo bem? — perguntei, observando cada microexpressão. — Sim. Só estou tentando me acostumar... a estar no centro de tudo, no centro do seu mundo James. — Você se adapta rápido. Ela me olhou com ironia. — Isso é elogio ou aviso? — Um pouco dos dois — respondi, sorrindo de lado. Ficamos em silêncio por um momento, observando os convidados. Foi então que ela falou, num tom mais suave: — Eu ainda não entendo por que escolheu a mim. Há tantas mulheres... modelos, atrizes, ricas, conhecidas, que fariam qualquer coisa para estar ao seu lado, e nem cobrariam por isso... — Justamente por isso. — A encarei. — Eu não queria alguém que fingisse ser perfeita. Queria alguém real. Que ficasse nervosa, mas que ainda assim estivesse aqui, e sobre o dinheiro realmente não me importa. Ela mordeu o lábio de novo. E dessa vez, não desviou os olhos dos meus. Meu desejo por ela não parecia ser mais segredo. Mas eu precisava manter o controle. O evento seguiu. Fotos foram tiradas. Mais apresentações vieram. Mas em todos os momentos, ela se manteve ao meu lado. Ela cumpriu cada parte do contrato com perfeição. Mas havia algo além da atuação. O modo como ela me ouvia. Como me observava quando achava que eu não via. O modo como sorria quando se sentia confortável. Quando enfim a noite terminou, caminhamos de volta até o carro. O motorista nos aguardava. O silêncio entre nós dessa vez era leve. — Você foi perfeita — disse, enquanto o carro se afastava do evento. Ela me olhou, séria, e continuei: — Sabe que isso é só o começo, né? Ela assentiu. — E sei que vai ficar mais difícil a cada dia. Ela cruzou as pernas, o vestido deslizando levemente sobre a pele. — Então espero que continue respeitando meus limites, James. Me aproximei, levemente, sem tocar. — Seus limites, Louise, são exatamente o que me fazem querer ultrapassá-los. Mas não vou. A não ser que você me peça. Ela não respondeu. Mas vi o arrepio percorrer seus braços, eu sei que ela vai pedir...






