Capítulo 7

Capítulo 7

James Bellerose

Cada segundo que passo ao lado de Louise sem poder tocá-la de verdade me enlouquece, mas preciso sufocar esse desejo. Jamais cruzaria os limites dela, mesmo que isso me enlouqueça.

Ainda vou vê-la implorar. Essa é minha única certeza. Até lá, preciso buscar alívio em um lugar discreto. Afinal, James Bellerose é um homem comprometido agora.

Falo isso sorrindo para mim mesmo enquanto olho as páginas de fofoca. Todas se perguntam quem é a mulher misteriosa ao lado do CEO da Bellerose.

Mil e uma hipóteses, mas nenhuma acerta. Os óculos fundo de garrafa, os cabelos sempre presos, as roupas largas e sem corte escondiam um mulherão, e agora sou eu quem pode desfilar ao lado dela.

As lentes de contato no lugar dos óculos, as roupas mais elegantes e justas que realçam suas curvas estonteantes, e a maquiagem que não costumava usar só acentuaram a beleza que ela escondia… mas que eu sempre vi, desde a primeira entrevista.

Mas os comentários idiotas sobre ela estão me incomodando. Ciúmes? Jamais. Só preciso manter todos longe dela. Ela será minha. E então, depois disso, poderá fazer o que quiser, mas antes, será minha.

Olhei o celular, observando a foto tirada no leilão. Ela sorria, enquanto eu estava sério. Seu sorriso era como o nascer do sol num dia de verão. Uma brisa suave em meio ao caos.

Mandei uma mensagem inventando um compromisso para mais tarde. Mas antes, precisava passar na Red. Preciso me aliviar… para não ultrapassar nenhum limite.

Assim que cheguei, Yohana me recebeu. Era a garota de sempre. Apesar de vir aqui por não querer compromissos, sempre tive uma acompanhante fixa.

— Que merda é essa, James?

— Do que você está falando, Yohana?

— Que história é essa de que você está namorando?

— E desde quando eu te devo satisfação da minha vida pessoal?

Respondi seco. Quem ela pensa que é?

— Eu e você... Eu pensei que...

— Eu não te pago para pensar, Yohana. E pago muito bem, por sinal. Nunca te dei nenhuma esperança. Isso é apenas negócio. Você recebe, me entrega o serviço, e ponto.

— Seu...

Ela levantou a mão para me dar um tapa, e eu segurei.

— Só pode estar ficando louca. Perdeu o juízo?

A voz de Elijah soou atrás dela.

— Ele me humilhou, eu...

— Apenas te disse a verdade. Aqui são só negócios. Você não tem nada a ver com minha vida particular.

— Yohana, se retire, antes que eu seja obrigado a te dispensar — e não só por hoje —, disse Elijah com firmeza.

Ela saiu batendo os pés, irritada, feito uma garota mimada, coisa que odeio. Peguei um whisky e virei o copo. O que mais pode me acontecer hoje?

— Arrasando corações, meu amigo?

— Não sei de onde ela tirou que teríamos algo. O fato de ser minha acompanhante fixa era apenas para me satisfazer. Nunca prometi nada.

— Eu sei. Mas as mulheres são complicadas. Até as acompanhantes.

— Por isso prefiro pagar. Sem sentimentos, sem problemas, era o que eu achava até hoje.

Ele deu dois tapinhas no meu ombro, serviu outro whisky e se sentou ao meu lado.

— Mas falando em mulher... De onde surgiu aquela deusa que está desfilando por aí?

A fala dele me irritou profundamente. Fechei o punho com força e franzi o cenho. Ele ergueu as mãos como se se rendesse.

— Calma, meu amigo. Tá apaixonado mesmo?

— Não é isso. Eu não me apaixono. Mas ela é minha, e é só isso que você precisa saber.

Ele gargalhou alto, e eu me levantei.

— Calma, calma... Senta aí. Vamos beber. É só que eu nunca imaginei te ver assim por causa de uma mulher. Mas eu te entendo... Ela é uma baita gostosa mesmo.

Senti meu corpo inteiro reagir ao comentário escroto dele. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, meu celular vibrou. Atendi assim que vi o nome dela na tela.

— Louise? Está tudo bem? Você nunca liga...

— Minha tia... ela caiu na escada do prédio. Eu não sabia a quem recorrer. Estou desesperada!

— Já estou a caminho. Chego em 15 minutos.

Desliguei e saí, ignorando os protestos de Elijah. Nada mais importava. Eu precisava ajudar Louise.

Mandei uma ambulância para o endereço dela e fui o mais rápido que pude. Cheguei quase junto com os paramédicos. Eles já estavam fazendo o atendimento. Como a visão da tia dela estava reduzida, ela tropeçou na escada que levava à área de serviço e caiu. Louise a encontrou desacordada. Estava desesperada.

— Calma. Ela vai para o melhor hospital da cidade e já vai ser avaliada para a cirurgia que precisa. Vai ficar tudo bem.

Não demorou para um maldito paparazzi nos encontrar no hospital. Louise não estava arrumada: coque alto, cheio de fios soltos, os óculos de volta e roupas que pareciam mais um pijama. Prato cheio para a próxima manchete: “Gata Borralheira”.

As fotos eram horríveis. Ridículas. E os comentários... debochados. Tudo isso em um momento tão delicado.

Enquanto ela comia algo, liguei para meus advogados e ordenei que retirassem todas as imagens e matérias do ar. E que fossem até o inferno atrás do paparazzi. Eu queria arruinar a carreira desse maldito filho da puta.

Estava fervendo de raiva. Não aceito que ousem falar dela. Muito menos debochar.

— James? Estava te procurando... Está tudo bem?

Sua voz me tirou dos devaneios. Apaguei a tela do celular e a enfiei no bolso antes de me virar para ela.

— Estava resolvendo umas coisas. Eu que pergunto: está mais calma?

— Sim... E obrigada. Sei que nem devia ter te ligado, mas me desesperei quando ela não acordou. Só pensei em você. Desculpa se atrapalhei seu dia.

— Você nunca me atrapalha. Fique tranquila. Eu estava indo para sua casa, mas vou avisar minha mãe que não vamos jantar mais.

Disfarcei. Minha mãe nem iria jantar comigo, foi só uma desculpa para vê-la.

— Você não deveria deixar sua mãe. Pode ir, eu me viro aqui.

— De jeito nenhum. Não posso deixar minha namorada sozinha. Minha mãe surtaria.

Ela sorriu. Um sorriso sincero, mas cansado. Estava exausta.

Puxei-a para mim e a abracei. A vontade de protegê-la do mundo era mais forte que eu. No começo, ela ficou dura, mas logo retribuiu o abraço. Beijei o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro de morango dos seus cabelos.

— Obrigada por isso...

Ela sussurrou.

— Vamos resolver tudo sobre a cirurgia da sua tia. Vai ficar tudo bem.

Tentei acalmar seu coração acelerado.

Seguimos para dentro do hospital, e vi os seguranças contendo jornalistas.

— Inferno — resmunguei alto demais.

Ela se assustou.

— Por que eles estão aqui?

— Esses urubus querem manchetes. Mas eu cuido disso.

Ela assentiu, frustrada. Esse definitivamente não é o mundo dela.

Fui até os repórteres, expliquei rapidamente o que havia acontecido, e eles se foram.

Mas o sentimento de que preciso proteger Louise do mundo só cresce dentro de mim.

Algo que nunca senti antes...

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