MAYA
O concreto era minha vista. Um labirinto sujo de paredes de tijolo à vista, varandas com roupas penduradas formando bandeiras de renda esfarrapada, e o céu, um retângulo cinza apertado entre as beiradas dos prédios. Ficava parada na janela da nossa sala, encarando a única paisagem que meu bairro, meu mundo, podia oferecer. Mas meus olhos não viam o concreto. Viam o vazio.
Porque na minha mente, projetava-se uma imagem em alta definição: a vista panorâmica do apartamento de Kaelen Aurelius