– QUANDO O INSTINTO FALA MAIS ALTO
ANA
A música pulsava no peito como um segundo coração.
Luzes azuis, violetas, reflexos que cortavam a pista em fragmentos de energia. Eu precisava daquilo. Não da balada em si — mas da liberdade que vinha com ela.
— Você merece — disse minha melhor amiga, erguendo o copo. — Hoje é sobre celebrar.
Léo estava ao nosso lado, animado como sempre, dançando sem vergonha alguma.
— A sede no Canadá abriu — ele disse. — Isso pede barulho.
Sorri.
Eu estava leve.
Usava um vestido simples, elegante, que acompanhava meus movimentos sem pedir permissão. Dançava sem pensar. Sem passado. Sem peso.
Por alguns minutos, fui apenas eu.
WILLIAM
Eu não pretendia entrar.
De verdade.
Mas vi a fachada iluminada, ouvi a música vazando pela porta… e algo me puxou.
Talvez curiosidade. Talvez inquietação.
Talvez Ana.
Entrei.
O ambiente estava cheio, intenso. Pessoas rindo, dançando, vivendo.
E então eu a vi.
Na pista.
Livre.
Segura.
Linda de um jeito que n