– O QUE PERMANECE QUANDO O BARULHO CESSA
WILLIAM
O silêncio do apartamento me atingiu como um soco lento.
Não era solidão. Era eco.
Tirei o paletó, larguei sobre a poltrona e fiquei parado no meio da sala, como se ainda estivesse ouvindo a música distante da balada, o riso de Ana, o brilho que ela carregava sem pedir atenção.
Sentei no sofá.
Passei a mão no rosto.
O que tinha sido aquilo?
Ciúme? Instinto? Ou apenas a constatação tardia de que algumas perdas não se resolvem com o tempo — apenas se tornam mais nítidas?
Eu a tinha visto inteira.
Não precisando de mim. Não orbitando minha vida. Não esperando aprovação.
E isso deveria me dar paz.
Mas não deu.
Porque, pela primeira vez, entendi com clareza o que realmente perdi:
não foi Ana como babá, nem como apoio, nem como presença constante.
Foi Ana como escolha.
E escolhas não se recuperam depois de adiadas demais.
THEO
Meu pai achava que eu não percebia.
Adultos sempre acham isso.
Mas eu percebia quando ele demorav