capítulo 100

– O QUE PERMANECE QUANDO O BARULHO CESSA

WILLIAM

O silêncio do apartamento me atingiu como um soco lento.

Não era solidão. Era eco.

Tirei o paletó, larguei sobre a poltrona e fiquei parado no meio da sala, como se ainda estivesse ouvindo a música distante da balada, o riso de Ana, o brilho que ela carregava sem pedir atenção.

Sentei no sofá.

Passei a mão no rosto.

O que tinha sido aquilo?

Ciúme? Instinto? Ou apenas a constatação tardia de que algumas perdas não se resolvem com o tempo — apenas se tornam mais nítidas?

Eu a tinha visto inteira.

Não precisando de mim. Não orbitando minha vida. Não esperando aprovação.

E isso deveria me dar paz.

Mas não deu.

Porque, pela primeira vez, entendi com clareza o que realmente perdi:

não foi Ana como babá, nem como apoio, nem como presença constante.

Foi Ana como escolha.

E escolhas não se recuperam depois de adiadas demais.

THEO

Meu pai achava que eu não percebia.

Adultos sempre acham isso.

Mas eu percebia quando ele demorav
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