– O PESO DO QUE FOI ESCOLHIDO
NARRADOR
Algumas decisões não fazem barulho quando são tomadas.
O som vem depois.
No eco.
No espaço que fica.
E William começava a ouvir esse eco com clareza demais.
WILLIAM
A casa parecia maior.
Não porque alguém tivesse ido embora fisicamente —
mas porque algo essencial havia se perdido.
Theo estava no quarto, dormindo.
Daiane havia saído cedo naquela manhã, alegando compromissos.
E eu fiquei.
Sozinho com pensamentos que evitei por tempo demais.
Sentei no escritório e abri a gaveta onde ficava o relatório que eu havia mandado interromper semanas atrás.
O nome piscava na memória como um aviso ignorado:
Investigação particular – Daiane M.
Fechei os olhos por um instante.
Eu tinha escolhido não saber.
E agora pagava o preço dessa escolha.
Peguei o telefone.
— Retome tudo — disse ao investigador. — Quero o relatório completo. Sem cortes. Sem proteção.
— Entendido, senhor William.
Desliguei.
O vazio não era apenas emocional.
Era mor