– FIM DE UMA FICÇÃO, INÍCIO DE UM NOME
NARRADOR
Alguns finais não pedem delicadeza.
Pedem verdade.
E, naquela semana, a verdade deixou de esperar.
WILLIAM
O relatório ainda estava sobre a mesa quando Daiane entrou no escritório.
Ela percebeu no mesmo instante.
O ar estava diferente.
— Você me chamou? — perguntou, tentando manter a voz firme.
Fechei a pasta devagar.
— Sim.
Apontei para a cadeira à minha frente.
Ela sentou, cruzando as pernas, como se ainda estivesse em controle.
— Eu sei que você retomou a investigação — disse, antecipando-se. — Mas tudo tem contexto, William.
Assenti.
— Tem mesmo.
Abri a pasta novamente e deslizei algumas fotos pela mesa.
— Esse apartamento em Milão… — comecei. — Não parece exatamente a vida de alguém tentando se reconstruir do zero.
Ela empalideceu.
— Isso foi antes — rebateu. — Antes de tudo dar errado.
— Errado quando? — perguntei. — Quando o dinheiro começou a acabar?
O silêncio respondeu por ela.
— Você não voltou por mim —