– A VERDADE QUE NÃO SABE SE DISFARÇAR
EVENTO – DIA SEGUINTE
WILLIAM
O salão estava cheio demais.
Cheio de gente. Cheio de olhares. Cheio de versões.
Eu caminhava com Daiane ao meu lado, sentindo o peso invisível de cada cochicho. Ela mantinha a postura perfeita — cabeça erguida, expressão serena, a mão apoiada levemente em meu braço, como quem pede proteção sem precisar verbalizar.
— Você está bem? — ela perguntou, baixo.
— Estou — respondi.
Não era mentira. Mas também não era verdade.
Theo vinha alguns passos atrás, segurando a mão de Madison. Minha mãe observava tudo em silêncio, atenta demais para alguém que acreditava plenamente na história que estavam contando.
Subimos os degraus do pequeno palco montado no centro do evento. Era uma celebração institucional, entrevistas, flashes, discursos breves. Tudo muito ensaiado.
Tudo muito falso.
DAIANE
Aproximei-me do microfone quando me chamaram.
O salão silenciou.
— Eu nunca quis exposição — comecei, com a voz suave. — Só