CAPÍTULO 65 – O LIMITE QUE SE DESENHA
ANA
Eu sempre soube reconhecer quando algo mudava.
Não precisava de palavras grandes nem de cenas dramáticas. Bastava o ar ficar diferente.
Um silêncio a mais. Um olhar que não se sustentava por tanto tempo.
Naquela manhã, enquanto preparava o café de Theo, senti isso.
A casa estava igual. O relógio marcava o mesmo horário. Mas havia algo fora do lugar.
— Você vai me buscar hoje? — Theo perguntou, mordendo a torrada.
— Vou — respondi. — Como sempre.
Ele so