– QUANDO A FELICIDADE NÃO PEDE DESCULPAS
ANA
Havia algo de profundamente calmo na forma como a vida tinha se organizado.
Não era ausência de problemas. Era presença de escolhas.
William cozinhava comigo nas noites em que nenhum de nós tinha reunião. Não por obrigação, mas porque descobrimos que dividir a cozinha era mais íntimo do que qualquer jantar caro.
— Você está cortando errado — ele comentou, observando minha tentativa de picar ervas.
— Eu estou improvisando — respondi, rindo.
Ele se aproximou por trás, segurou minhas mãos e guiou o movimento com paciência.
— Improvisar é ótimo — disse perto do meu ouvido. — Mas algumas coisas ficam melhores quando feitas juntos.
Sorri.
Era assim com a gente agora. Nada imposto. Tudo construído.
WILLIAM
Ana tinha trazido leveza para a minha vida sem tirar a profundidade.
Nos jantares em família, ela não tentava ocupar espaço. Ela simplesmente pertencia.
Minha mãe a observava com um carinho tranquilo, daqueles que não precisam de a