Depois que desliguei o telefone, fiquei um tempo olhando para o nada. Não era tristeza e nem raiva. Era uma confusão densa, dessas que não se resolve com choro nem com silêncio.
A ligação da minha mãe tinha aberto uma porta que eu passei anos mantendo trancada — não por falta de coragem, mas por sobrevivência.
Eu tinha medo da reaproximação, medo de acreditar que algo pudesse ser diferente agora. Medo de me expor de novo e descobrir que algumas pessoas só sabem amar do jeito que aprenderam, mes