A busca não começou com passos apressados, começou com silêncio.
Arthur acordou naquela manhã com a sensação de que algo precisava ser feito — não como impulso, mas como continuidade. Correr riscos tinha aberto uma porta, mas agora era preciso atravessá-la com intenção. Não bastava sentir, não bastava apenas admitir, buscar era agir com constância. Ele levou Sofia à escola naquele dia, algo que antes delegava quando a agenda apertava. No caminho, ela segurava a mochila com força, observando a rua pela janela.
— A Helena vem me buscar com você hoje? — perguntou, casualmente.
— Ainda não. — respondeu, com um leve sorriso — Mas ela sabe que você pensa nela.
— Então tá bom. — a garota assentiu, satisfeita.
Depois de deixá-la, Arthur não foi direto ao escritório. Dirigiu sem destino por alguns minutos, organizando os pensamentos, até estacionar perto de um parque pequeno, quase vazio naquela hora. Sentou-se em um banco, observando pessoas passarem sem notar o que ele carregava por dentro.