Nos dias que se seguiram à partida dele, minha vida entrou num ritmo estranho, quase feliz, quase normal. Era como se eu tivesse encontrado um ponto de equilíbrio provisório, frágil, mas suficiente para me manter de pé. As horas passavam com uma cadência previsível, e isso, por si só, já me trazia algum alívio. As noites tinham sempre a voz dele.
O telefone tocava no mesmo horário, com a precisão de um ritual silencioso, como se o mundo obedecesse àquela pequena regra que criamos juntos sem nu