A viagem é uma descida em espiral para um Brasil que parece de outro tempo. O avião lotado, o ar abafado do aeroporto regional, o carro alugado que cheira a mofo e gasolina barata, a estrada é estreita, esburacada, ladeada por uma vegetação baixa e teimosa que se estende até onde a vista alcança e o calor é um peso úmido sobre a pele.
Dante dirige em silêncio, seus olhos escaneiam a estrada, os retrovisores, a cada carro que nos ultrapassa ou que vem no sentido contrário. A paranoia é um hábito que não conseguimos largar, nem aqui no meio do nada. Eu observo o mapa no meu celular, o sinal oscilando perigosamente.
— Mais uns quarenta minutos até o porto — informo, minha voz soa seca na cabine abafada.
Ele acena, os dedos tensos no volante. — Alguém nos segue?
— Ninguém que eu tenha visto. Mas quem seria? Os homens de Viktor? A polícia?
— Qualquer um, mesmo porque neste jogo, até um vendedor ambulante pode ser um olheiro. — responde simplesmente.
A ideia nos envolve, estamos tão longe d