A falsa pista não desaparece, ela se instala na casa como uma umidade baixa, um mal-estar que impregna cada canto e Dante age com normalidade forçada, leva Melissa à escola, trabalha em seu escritório, faz videoconferências com uma calma de aço, mas eu vejo a tensão nos cantos de sua boca, a maneira como seus olhos vasculham a rua antes de abrir o portão e o hábito de checar as câmeras de segurança no celular a cada hora está de volta.
Já se passaram dois dias e Leandro fez a sua rede de contatos dançar, ele chega com informações que são mais preocupantes do que tranquilizadoras.
— Não é amadorismo — ele diz enquanto senta à nossa mesa da cozinha, suas mãos grandes envoltas em volta de uma xícara de café que ele não bebe.
É teatro, a isca foi feita para parecer amadora… O telefone, a carteira digital, tudo muito óbvio, muito rastreável até um beco sem saída, alguém quer que pensemos que é um oportunista qualquer, enquanto prepara algo maior.
— Viktor — Dante diz o nome como se cuspis