O envelope de Carlos Esteves queima. Não literalmente, mas sinto seu calor através do tecido do bolso de Dante durante todo o caminho de volta para casa, é um calor de culpa e segredo, um núcleo radioativo do passado que agora carregamos conosco.
Não falamos. O silêncio dentro do carro é espesso, pesado, preenchido apenas pelo som do motor e do limpador de para-brisas contra a chuva fina que começou, e a imagem de Esteves, frágil e decidido, fica gravada em meus olhos, na minha memória. Ele nos