A primavera se insinua no jardim da nova casa. E brotos teimosos surgem nos canteiros que Eduardo Moraes observou com desdém, a amendoeira, plantada sob o olhar atento de Melissa, exibe suas primeiras folhas tenras, uma vitória pequena e verde contra a memória do solo envenenado. O espectro de Augusto, confinado à sua caixa de metal e destinado a se tornar um artefato de estudo, deixa de pairar como uma névoa para se tornar um peso específico, carregável, Dante lida com ele marcando reuniões secas com o Dr. Elias e os diretores do instituto, transformando a dor em protocolo burocrático. É a maneira dele de seguir em frente.
A construção da nossa vida, no entanto, é menos sobre gestos grandiosos e mais sobre a lenta acumulação, são as escolhas do dia a dia que, tijolo por tijolo invisível, erguem as paredes do que seremos.
Minha rotina no Fundo Beatriz se solidifica, o programa de apoio psicológico que Dante mencionou a Eduardo Moraes sai do papel, contratamos terapeutas, estabelecemos