RYDER
A primeira coisa que senti foi o som. Um bip constante, insistente, perturbador. Depois veio a dor — uma fisgada aguda que atravessou meu ombro e me arrancou um gemido baixo. Abri os olhos devagar, tentando entender onde estava. A claridade fria da luz fluorescente me cegou por um instante, e o cheiro de antisséptico invadiu minhas narinas. Hospital.
Pisquei algumas vezes, tentando lembrar de tudo. O depósito, o tiro, Savannah... A imagem dela no chão, ensanguentada, veio como uma maré violenta.
Levantei a cabeça, atordoado, e vi o curativo que cobria parte do meu ombro esquerdo. Uma faixa de gaze manchada de vermelho. Eu estava vivo — mal, mas vivo. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando afastar o pânico. A única coisa que importava era ela. E a bebê. Cinco meses. Tão cedo. Meu estômago revirou.
Por instinto, tentei me sentar, mas uma dor lancinante me fez recuar. Um gemido escapou dos meus lábios, o som áspero de quem luta contra o corpo. Logo senti uma presença ao meu lad