O sol já começava a se esconder atrás das serras quando o som frenético de uma buzina rompeu a paz da clínica. Um caminhão de fazenda parou bruscamente, levantando uma nuvem de poeira vermelha. Do veículo, saiu um pai desesperado carregando o filho de apenas cinco anos, Tiago, nos braços.
— Doutor Biel! Ajuda! Ele caiu do trator... ele não acorda! — o homem gritava, com as mãos trêmulas.
Gabriel e Eliza correram para o pátio. O estado do menino era crítico: ele estava pálido, com uma respiração curta e superficial, e o abdômen apresentava uma rigidez que indicava uma hemorragia interna maciça.
Dentro da pequena sala de emergência, Gabriel percebeu o tamanho do desafio. A clínica não tinha banco de sangue, não tinha um desfibrilador de última geração e o hospital mais próximo ficava a duas horas de estrada de terra.
— Eliza, preciso que você monitore o oxigênio e estanque a ferida externa — ordenou Gabriel, sua voz assumindo aquele tom de autoridade calma que o tornara lendário no