Mundo de ficçãoIniciar sessãoRENASCI GRÁVIDA DO HOMEM QUE ME DESPREZOU Helena entregou tudo a Adrian Montenegro. Seu coração. Seus sonhos. Sua juventude. Durante anos, suportou a frieza do marido e viveu à sombra da mulher que ele realmente amava, acreditando que algum dia conseguiria conquistar seu coração. Esse dia nunca chegou. Helena morreu carregando um segredo que Adrian jamais chegou a conhecer: ela estava grávida de seu filho. Mas a morte não foi o fim. Quando abre os olhos novamente, Helena descobre que voltou três anos no tempo — exatamente para o dia em que Adrian colocou o acordo de divórcio diante dela. Na primeira vida, ela chorou, implorou e se recusou a assinar. Desta vez, pega a caneta sem derramar uma única lágrima. Ela assina. E vai embora levando consigo o maior segredo da família Montenegro. Determinada a não repetir os mesmos erros, Helena decide proteger seu filho, reconstruir sua vida e nunca mais depender do homem que a desprezou. Mas o destino coloca em seu caminho outro homem: poderoso, perigoso e capaz de oferecer proteção justamente quando ela mais precisa. Anos depois, Helena retorna completamente diferente da mulher que Adrian abandonou. Ela tem dinheiro. Poder. Um novo sobrenome. Um marido. E um menino cuja existência Adrian jamais deveria descobrir. Quando os dois se encontram novamente, Adrian percebe tarde demais que a mulher que ele desprezou era justamente aquela que não conseguia esquecer. Mas existe algo ainda pior. Quanto mais observa o filho de Helena, mais uma pergunta começa a atormentá-lo:
Ler maisCAPÍTULO 1 — O DIVÓRCIO
A última coisa que Helena Montenegro sentiu foi a mão sobre a barriga.
Não a mão de alguém tentando salvá-la.
A dela.
Os dedos tremiam enquanto apertavam o tecido ensanguentado do vestido, como se aquele gesto desesperado pudesse proteger a pequena vida que carregava dentro de si.
— Meu bebê...
A voz saiu fraca.
Ao redor, tudo parecia distante. As luzes se misturavam. Vozes gritavam alguma coisa que ela já não conseguia compreender.
Helena tentou respirar.
Doía.
Mas não era a própria morte que a assustava.
Era saber que seu filho morreria com ela.
Havia descoberto a gravidez poucos dias antes. Ainda não tinha contado a Adrian.
Talvez tivesse sido melhor assim.
Durante três anos, Helena fizera daquele homem o centro de sua existência.
Amou Adrian Montenegro quando ele não lhe oferecia sequer um sorriso. Esperou por ele durante noites inteiras. Defendeu-o diante da própria família. Abandonou sonhos. Engoliu humilhações.
Tudo porque acreditava que um dia seria amada.
Mas Adrian nunca escondeu a verdade.
Seu coração pertencia a outra mulher.
Isabella Vasconcelos.
Helena fechou os olhos.
Uma lágrima deslizou por seu rosto.
Naquela manhã, havia colocado dentro da bolsa o exame que confirmava a gravidez. Durante horas, imaginara diferentes maneiras de contar ao marido.
Talvez um filho mudasse alguma coisa.
Que pensamento idiota.
Agora ela morreria sem descobrir.
— Senhora! Consegue me ouvir?
Alguém segurou seu rosto.
Helena abriu os olhos com dificuldade.
— Meu... bebê...
— Não fale. A ambulância está chegando.
Ela já não ouvia direito.
Curiosamente, naquele instante, Helena não pensou na mansão, no sobrenome Montenegro ou na fortuna que cercava aquela família.
Pensou em todas as vezes em que implorou por migalhas.
E desejou algo impossível.
Outra vida.
Se pudesse voltar...
Não imploraria.
Não esperaria.
Não amaria Adrian Montenegro.
E, principalmente, jamais colocaria a própria felicidade nas mãos de um homem que não a queria.
A mão de Helena escorregou lentamente da barriga.
Seu último pensamento foi uma promessa que jamais teria oportunidade de cumprir.
Se eu pudesse viver novamente, escolheria a mim mesma.
Então tudo ficou escuro.
— Helena.
A voz atravessou a escuridão.
Ela tentou abrir os olhos.
— Helena, não torne isso mais difícil do que precisa ser.
Seu coração disparou.
Aquela voz...
Helena conhecia aquela voz melhor do que conhecia a própria.
Era impossível.
Ela estava morta.
— Abra os olhos.
Helena obedeceu.
A primeira coisa que viu foi uma mesa de madeira escura.
Depois, uma caneta.
Alguns documentos.
E uma mão masculina apoiada sobre a mesa.
Ela ergueu lentamente o olhar.
O ar desapareceu de seus pulmões.
Adrian.
Vivo.
Sentado diante dela.
Usava um terno preto impecável. Os cabelos escuros estavam perfeitamente penteados, e a expressão fria era exatamente como Helena lembrava.
Ela ficou paralisada.
Não.
Aquilo não podia estar acontecendo.
Adrian estava mais jovem.
Muito mais jovem.
Helena olhou ao redor.
Conhecia aquele escritório.
Conhecia aquelas cortinas.
Conhecia até o pequeno risco na madeira da mesa.
Então seus olhos caíram sobre o documento diante dela.
Duas palavras fizeram seu corpo inteiro estremecer.
ACORDO DE DIVÓRCIO.
Helena parou de respirar.
Não precisava olhar a data.
Sabia exatamente que dia era aquele.
Três anos antes de sua morte.
O dia em que Adrian pedira o divórcio.
Na primeira vez que viveu aquela cena, Helena chorou durante horas.
Implorou.
Agarrou o braço dele.
Perguntou o que poderia fazer para que ele mudasse de ideia.
E Adrian apenas respondeu:
“Não existe nada que você possa fazer. Eu nunca amei você.”
Helena levou a mão à boca.
— O que está acontecendo?
Adrian franziu a testa.
— Você sabe perfeitamente o que está acontecendo.
Ela olhou para as próprias mãos.
Não havia sangue.
Nenhum ferimento.
Levantou-se abruptamente.
— Helena?
Ela correu até o espelho.
A mulher refletida ali tinha vinte e seis anos.
Helena tocou o próprio rosto.
A pele.
Os cabelos.
Os olhos.
Era ela.
Mas era ela três anos antes.
— Isso não é possível...
Adrian se levantou.
— Não comece.
Helena virou-se.
Ele estava ali.
O homem por quem ela havia destruído a própria vida.
Por um instante, todas as lembranças voltaram de uma vez.
As noites esperando que ele chegasse.
As mensagens ignoradas.
Os aniversários esquecidos.
Isabella.
O desprezo.
E depois...
Sua morte.
Helena levou instintivamente a mão à barriga.
Se realmente havia voltado para aquele dia...
Então...
Seus olhos se arregalaram.
Seu filho estava vivo.
Ainda era muito cedo. Naquela época, ela nem sequer sabia da gravidez.
Mas agora sabia.
Helena sentiu as pernas fraquejarem.
Seu bebê.
Ela havia recebido de volta aquilo que a morte lhe arrancara.
— Helena.
A voz impaciente de Adrian a trouxe de volta.
— Já conversamos sobre isso.
Ela virou lentamente o rosto.
— Sobre o quê?
Ele soltou uma respiração irritada.
— Nosso casamento acabou.
Aquelas palavras, na primeira vida, haviam destruído Helena.
Agora...
não doeram.
Pela primeira vez, ela percebeu algo que jamais havia conseguido enxergar.
Adrian não era seu mundo.
Era apenas um homem.
Um homem que não a amava.
— Minha equipe preparou um acordo generoso — continuou ele. — Você ficará com o apartamento, uma compensação financeira e...
— Não quero.
Adrian parou.
— O quê?
— Não quero seu apartamento.
Helena voltou para a cadeira.
Ele a observou com desconfiança.
— Então quanto você quer?
Helena quase riu.
Na primeira vida, aquela pergunta a humilhara profundamente.
“Quanto você quer para desaparecer?”
Ela havia respondido que não queria dinheiro.
Queria o marido.
Agora, três anos depois — ou três anos antes —, finalmente entendia como havia sido cruel consigo mesma.
— Nada.
Adrian estreitou os olhos.
— Não estou com disposição para jogos.
— Nem eu.
Helena pegou a caneta.
Ele permaneceu imóvel.
— Você vai assinar?
Ela abriu o documento.
As mãos não tremiam.
Na primeira vida, aquelas páginas pareceram uma sentença de morte.
Naquela, pareciam uma porta aberta.
Helena assinou a primeira página.
Depois a segunda.
E a terceira.
Adrian continuava observando.
Quando terminou, ela colocou a caneta sobre a mesa e empurrou os documentos na direção dele.
— Pronto.
O silêncio tornou-se pesado.
Adrian olhou para a assinatura.
Depois para Helena.
— Só isso?
Ela levantou-se.
— Só isso.
— Você não vai perguntar sobre Isabella?
Helena sentiu alguma coisa dentro do peito.
Não era ciúme.
Talvez fosse apenas a lembrança de uma dor antiga.
— Não.
— Helena...
— Você queria liberdade, Adrian.
Ela pegou a bolsa que estava sobre a poltrona.
— Agora tem.
Caminhou em direção à porta.
— Espere.
Helena parou.
Na primeira vida, teria corrido para ele ao ouvir aquela palavra.
Desta vez, apenas virou o rosto.
Adrian parecia incomodado.
— Quando pretende retirar suas coisas da mansão?
— Hoje.
— Hoje?
— Não existe motivo para continuar na sua casa.
Ele permaneceu em silêncio.
Helena abriu a porta.
— Helena.
Ela parou novamente.
— Você está fazendo isso para me provocar?
Dessa vez, ela sorriu.
Não havia alegria naquele sorriso.
Havia libertação.
— Durante muito tempo, tudo o que fiz foi pensando em você.
Seus olhos encontraram os dele.
— Esse foi o meu maior erro.
Adrian ficou imóvel.
Helena saiu.
Cada passo pelo corredor parecia arrancar uma corrente de seu corpo.
Quando entrou no elevador, porém, toda aquela força desapareceu.
As portas se fecharam.
Helena levou imediatamente as duas mãos à barriga.
As lágrimas vieram.
— Você está aqui...
Sua voz quebrou.
— Meu bebê...
Na primeira vida, ela não conseguira salvá-lo.
Nesta, faria qualquer coisa para protegê-lo.
Qualquer coisa.
As portas do elevador se abriram no térreo.
Helena enxugou as lágrimas e caminhou para fora do prédio.
O sol atingiu seu rosto.
Ela estava viva.
Viva.
Pegou o celular e verificou a data.
Não havia mais dúvida.
Ela realmente havia voltado três anos no tempo.
Helena respirou profundamente.
Sabia coisas que ainda não haviam acontecido.
Sabia quais pessoas a trairiam.
Sabia quais decisões destruiriam sua vida.
Sabia quais empresas quebrariam.
Quais fortunas nasceriam.
E sabia que, naquela primeira vida, alguém havia contribuído para sua morte.
Só não sabia quem.
Ainda.
Helena chamou um carro.
Antes de entrar, olhou pela última vez para o enorme edifício da família Montenegro.
— Adeus, Adrian.
Sua mão repousou novamente sobre a barriga.
— Desta vez, você não vai tirar nada de mim.
No vigésimo andar, Adrian permanecia diante da janela.
O acordo de divórcio estava sobre a mesa.
Assinado.
Seu advogado entrou.
— Senhor Montenegro, está tudo resolvido?
Adrian não respondeu imediatamente.
Observava o carro de Helena desaparecer na avenida.
Havia alguma coisa errada.
Ela deveria ter chorado.
Deveria ter discutido.
Deveria ter implorado.
Helena sempre implorava.
— Senhor?
Adrian finalmente desviou o olhar da janela.
— Está.
— Então posso encaminhar os documentos?
Ele olhou novamente para a assinatura dela.
Por alguma razão que não conseguia explicar, sentiu uma inquietação estranha.
— Pode.
O advogado pegou os papéis.
Adrian voltou-se para a janela.
Não sabia ainda, mas aquela havia sido a última vez que veria Helena Montenegro como sua esposa.
E também não fazia ideia de que ela estava levando consigo algo que mudaria sua vida para sempre.
Seu filho.
Helena não conseguiu esquecer o modo como Dante Valença a olhara antes de as portas do elevador se fecharem. Havia alguma coisa naquele homem que a incomodava profundamente, mas não era medo. Era uma sensação pior: familiaridade. Como se ela já tivesse visto aqueles olhos em algum lugar, em algum momento que sua memória se recusava a alcançar. Durante o trajeto de volta para casa, tentou racionalizar. Dante era conhecido no mundo empresarial. Talvez o tivesse visto em eventos, revistas ou reuniões na primeira vida. Talvez seu cérebro estivesse apenas misturando lembranças. Ainda assim, uma pergunta continuava martelando: como ele sabia do divórcio poucas horas depois de acontecer?Ao chegar ao apartamento, Helena colocou a pasta da Nexora sobre a mesa e foi direto para a cozinha. Não sentia fome, mas precisava comer alguma coisa. O médico ainda não havia lhe passado recomendações específicas porque a gravidez estava no início, porém ela sabia que não podia repetir os descuidos da prim
Helena acordou antes do despertador. Por alguns segundos, ficou deitada observando o teto do novo apartamento que alugara na noite anterior, tentando organizar mentalmente tudo o que acontecera desde que abrira os olhos naquela segunda vida. Em menos de quarenta e oito horas, havia assinado o divórcio, descoberto que estava novamente grávida, recebido mensagens de alguém que conhecia detalhes impossíveis sobre sua primeira vida e descoberto que talvez sua morte não tivesse sido um simples acidente. Era informação demais para qualquer pessoa, mas Helena não podia se permitir desmoronar. Agora havia uma criança dependendo dela, e isso tornava cada decisão muito maior do que seus próprios medos.Levantou-se, tomou banho e abriu as cortinas. O apartamento era pequeno, mobiliado e ficava em um edifício discreto numa região movimentada da cidade. Helena pagara três meses antecipadamente e fizera questão de não utilizar qualquer funcionário ou conhecido ligado aos Montenegro para conseguir o
“Você não foi a única que voltou.”Helena continuou olhando para a tela do celular, incapaz de afastar os olhos daquela frase. O barulho da cidade parecia ter desaparecido. Não ouvia os carros passando ao lado, não prestava atenção no motorista nem nas pessoas atravessando as ruas. Tudo o que existia naquele momento eram aquelas seis palavras.Até então, por mais impossível que sua situação parecesse, Helena começara a aceitar que havia recebido uma segunda oportunidade. Morrera grávida e, por alguma razão que não compreendia, despertara três anos antes, justamente no dia em que Adrian lhe entregara os documentos do divórcio. Era absurdo, mas estava acontecendo. O exame confirmara que seu filho estava novamente dentro dela. A data no celular confirmara que o tempo havia voltado. Seu próprio corpo confirmava aquilo. O que Helena jamais imaginara era que outra pessoa pudesse ter vivido a mesma coisa.Ela ampliou a fotografia recebida. A imagem mostrava exatamente o momento em que saíra
Helena releu a mensagem tantas vezes que as palavras começaram a perder o sentido.“Você não deveria ter assinado aquele divórcio.”O quarto do hotel pareceu subitamente pequeno demais. Ela se levantou e verificou a porta. Estava trancada. Aproximou-se da janela, afastou discretamente a cortina e observou a rua lá embaixo. Carros passavam normalmente, pessoas caminhavam pelas calçadas e nenhuma movimentação parecia suspeita. Ainda assim, Helena sentia que estava sendo observada.A mensagem não poderia ser coincidência.Na primeira vida, ninguém tentara impedir que ela assinasse o divórcio naquele dia porque, simplesmente, ela não havia assinado. Helena passara semanas lutando contra Adrian, acreditando que ainda poderia salvar o casamento. Desta vez, havia mudado o passado. E poucas horas depois alguém reagira àquela mudança.Com os dedos tensos, digitou uma resposta.“Quem é você?”Esperou.Um minuto.Dois.Cinco.Nenhuma resposta.Helena tentou ligar para o número, mas uma gravação










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