Helena só percebeu que estava tremendo quando o carro dobrou a esquina e o imponente edifício da família Montenegro desapareceu de sua vista. Por alguns segundos, permaneceu olhando pela janela, tentando compreender tudo o que acabara de acontecer. Estava viva. Tinha voltado três anos no tempo, havia assinado o divórcio que na primeira vida se recusara desesperadamente a aceitar e, pela primeira vez desde que conhecera Adrian, não sentia vontade de correr atrás dele. A palavra liberdade surgiu em sua mente, estranha e quase assustadora. Durante anos, ela imaginara que sua felicidade dependia de ouvir Adrian dizer que a amava. Criara justificativas para as ausências dele, transformara indiferença em esperança e aceitara migalhas porque acreditava que algum dia conseguiria conquistar seu coração. Agora, tudo aquilo parecia pertencer a outra mulher. Talvez realmente pertencesse. À Helena que havia morrido.— Senhora, para onde vamos? — perguntou o motorista.Helena abriu a boca, mas demo
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