POV Rafaella Ferraro
O tempo tem um jeito cruel de nos ensinar a ouvir os silêncios. Eles chegam sem aviso, se espalham feito névoa e ocupam os espaços onde antes existiam palavras doces. As cartas de Salvattore já não vinham com a mesma frequência. E quando vinham, pareciam escritas com a ponta dos dedos, não com o coração. Sem “dolcezza”. Sem saudade. Sem desejo.
Algo estava errado.
Tentei ignorar. Me enganei dizendo que ele estava ocupado, que a máfia exigia mais dele, que talvez estivesse c