A rotina no abrigo tinha se tornado um ciclo previsível: acordar cedo, ajudar na cozinha, arrumar o quarto pequeno onde eu dividia espaço com outras jovens, e depois seguir para a biblioteca. Era quase um alívio viver assim, rodeada por pessoas que nada sabiam do que eu realmente era. Eles me viam apenas como Marina, a garota de óculos que falava pouco e sempre tinha um livro debaixo do braço.
Por algumas semanas, consegui acreditar que aquilo seria suficiente. Que podia me esconder para sempre