A rotina no abrigo havia se tornado previsível. Pela manhã, eu acordava com o barulho dos outros moradores levantando, panelas batendo na cozinha comunitária, crianças correndo pelo corredor enquanto gritavam. Tomava café numa caneca lascada e depois seguia para a biblioteca. As horas passavam entre livros velhos, cheiro de poeira e o som baixo de páginas sendo viradas. Por fora, eu era apenas Marina Costa, a jovem de cabelo curto, óculos grandes e jeito reservado.
Mas por dentro, a cada dia, a