Samantha
A noite me levou embora de mim mesma. Eu tinha me deitado com o corpo exausto, mas a mente permanecia acesa, inquieta, como se o destino estivesse batendo na porta da minha consciência e exigindo que eu atendesse. Quando o sono finalmente chegou, não foi descanso: foi visão.
Estava em um campo aberto, onde o céu parecia mais baixo do que nunca, e a Lua ocupava todo o horizonte. Sua luz era tão intensa que não havia sombras, apenas claridade prateada que me cegava e ao mesmo tempo me guiava.
E lá, em meio ao vazio iluminado, vi Ayres.
Ele estava de joelhos, sangrando, as mãos tentando se firmar contra o chão. Sua respiração era um rugido quebrado, e diante dele erguiam-se sombras que tinham forma de homens e feras ao mesmo tempo, inimigos que não pertenciam apenas ao mundo físico. Pareciam encarnar todos os medos que ele guardava, todas as culpas, toda a herança de dor.
Tentei correr até ele, mas meus pés estavam presos no chão. A cada passo, a cena se tornava mais cruel, Ayre