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Capítulo 6 – O Alfa dos Olhos Dourados

O Conselho Supremo havia chegado ao fim.

Mesmo assim, Keiran não conseguia encontrar paz.

Enquanto os Alfas deixavam lentamente o Castelo de Pedra, as palavras do Grande Rei Alfa continuavam ecoando dentro de sua mente.

"Se a rejeição foi baseada em mentiras..."

Cada vez que se lembrava daquela frase, um peso se formava em seu peito.

Pela primeira vez desde que assumira o comando da alcateia Louckraw, sua confiança vacilava.

Será que havia cometido um erro?

Será que Sarah realmente era inocente?

Ele apertou os punhos.

Não queria admitir, mas a dúvida já havia criado raízes em seu coração.

Do lado de fora do castelo, a noite era iluminada por uma enorme lua cheia. O vento frio descia das montanhas, fazendo as bandeiras das antigas alcateias balançarem lentamente.

Quase todos já haviam partido.

Apenas um Alfa permanecia parado sobre um dos terraços de pedra, observando silenciosamente o céu.

Alaric Ravencrest.

Sua postura era firme e tranquila, como se nada ao seu redor pudesse abalá-lo.

Os cabelos negros eram agitados pelo vento, enquanto seus olhos dourados refletiam o brilho da lua.

Havia algo nele que inspirava respeito.

E também um certo temor.

Darius aproximou-se de Keiran.

— Ainda está olhando para ele?

Keiran cruzou os braços.

— Nunca ouvi falar desse Alfa.

Darius assentiu.

— Isso é normal. A Alcateia da Lua Negra vive isolada nas Montanhas de Ébano. Eles raramente participam dos assuntos das outras alcateias.

— E por que ele veio agora?

Darius respirou fundo.

— Dizem que Alaric só aparece quando acredita que algo pode mudar o destino dos lobos.

Keiran voltou a olhar para o misterioso Alfa.

Naquele instante, Alaric virou discretamente o rosto.

Os olhares dos dois se encontraram.

Foi apenas um segundo.

Mas bastou para que Keiran sentisse um estranho desconforto.

Como se estivesse diante de alguém destinado a mudar completamente sua vida.

Ou pior...

De um rival.

Naquela mesma noite, o silêncio envolvia a residência de Magnus.

Depois da tentativa de assassinato, Sarah não conseguia mais dormir.

Sempre que fechava os olhos, lembrava-se das enormes marcas de garras destruindo sua cama.

Seu coração ainda acelerava.

Precisava respirar.

Precisava organizar os próprios pensamentos.

Vestindo um casaco leve, saiu discretamente pelos corredores e caminhou até os jardins iluminados pela lua.

O ar fresco da madrugada acalmava um pouco sua ansiedade.

Ela segurava com força o medalhão dado por Magnus.

Desde que o recebera, estranhas coisas haviam começado a acontecer.

A voz da mulher desconhecida.

O lobo branco.

A tentativa de assassinato.

Tudo parecia ligado.

— O que está acontecendo comigo...? — murmurou.

Naquele instante, ouviu passos atrás de si.

Virou-se rapidamente.

— Quem está aí?

Nenhuma resposta.

Apenas o som das folhas sendo agitadas pelo vento.

Sarah respirou fundo.

Talvez estivesse imaginando coisas.

Então...

Uma enorme sombra surgiu entre as árvores.

Seu coração quase parou.

Era o mesmo lobo branco.

Seu pelo brilhava sob a luz da lua, como se pequenos fios de prata estivessem espalhados por todo o corpo.

Os olhos dourados permaneciam fixos nela.

Mas não havia ódio.

Nem agressividade.

Havia apenas uma estranha sensação de proteção.

O animal caminhou lentamente até parar a poucos metros dela.

Sarah sentiu medo.

Mas, ao mesmo tempo...

Algo dentro de seu coração dizia que podia confiar.

Sem entender o motivo, deu um passo à frente.

Depois outro.

Levantou lentamente a mão.

O enorme lobo abaixou a cabeça.

Quando seus dedos tocaram o pelo macio do animal...

Uma intensa luz prateada explodiu ao redor dos dois.

O vento tornou-se mais forte.

As árvores balançaram violentamente.

Sarah precisou fechar os olhos.

Quando voltou a enxergar...

O lobo já não estava mais ali.

Em seu lugar havia um homem.

Alto.

De ombros largos.

Cabelos negros caíam sobre o rosto.

Seus olhos dourados eram exatamente iguais aos do lobo.

Vestia apenas uma calça escura, e uma antiga tatuagem em forma de lua prateada marcava seu peito.

Sarah arregalou os olhos.

Deu dois passos para trás.

— Você...

O homem sorriu gentilmente.

— Finalmente nos encontramos, Sarah Theyllan.

Ela continuava sem acreditar no que via.

— Quem é você?

Ele inclinou levemente a cabeça em sinal de respeito.

— Meu nome é Alaric Ravencrest.

— Sou o Alfa da Alcateia da Lua Negra.

Sarah permaneceu imóvel.

O nome lhe parecia familiar.

Então se lembrou.

Era o Alfa mencionado durante o Conselho.

— Como chegou até aqui?

Alaric olhou para a lua antes de responder.

— Eu não vim por acaso.

Voltou os olhos para Sarah.

— A Deusa da Lua guiou meus passos até você.

Um arrepio percorreu todo o corpo da jovem.

— O... o que isso significa?

Alaric aproximou-se lentamente.

Sem qualquer intenção de assustá-la.

Seu olhar caiu sobre a Marca da Lua gravada no pulso de Sarah.

A marca emitia um brilho suave.

Ele respirou profundamente.

Como se confirmasse algo que procurava havia muitos anos.

— Finalmente encontrei você...

Sarah franziu a testa.

— Encontrou... quem?

A expressão de Alaric tornou-se séria.

— Você não é apenas uma Luna rejeitada.

Ela permaneceu em silêncio.

— Você é a última Herdeira da Lua Prateada.

As palavras pareciam impossíveis.

— O sangue perdido da primeira Rainha dos Lobos ainda vive em você.

Sarah sentiu as pernas fraquejarem.

Seu mundo parecia desmoronar mais uma vez.

— Isso... isso é impossível...

Alaric sorriu de forma tranquila.

— Também achei.

— Até sentir sua presença.

Antes que pudesse continuar...

Um rugido poderoso cortou o silêncio da noite.

As árvores estremeceram.

Os pássaros levantaram voo assustados.

Keiran surgiu entre os jardins acompanhado de vários guerreiros.

Seu olhar encontrou Sarah.

Depois fixou-se em Alaric.

Os olhos do Alfa escureceram de pura fúria.

Seu lobo interior rugia dentro dele.

— Afaste-se dela!

Alaric permaneceu completamente imóvel.

Nem sequer demonstrou preocupação.

Um leve sorriso surgiu em seus lábios.

— Que curioso...

Keiran avançou um passo.

— O que disse?

— Você a rejeitou diante da própria Lua.

Alaric sustentou seu olhar.

— E agora exige que ela permaneça ao seu lado?

O silêncio tornou-se pesado.

Os guerreiros observavam a cena sem ousar interferir.

Keiran cerrou os dentes.

— Ela ainda pertence à minha alcateia.

Alaric deu mais um passo à frente, posicionando-se discretamente entre Sarah e os guerreiros.

Seu sorriso tornou-se provocador.

— Talvez pertença à sua alcateia...

Fez uma breve pausa.

— Mas já não pertence ao seu coração.

Os olhos de Keiran brilharam de raiva.

Então Alaric completou, em voz baixa:

— E talvez...

— Nunca mais pertença.

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