Clara passou a tarde inteira no ateliê, mas sem pintar.
Dessa vez, as tintas ficaram quietas, os pincéis descansando em potes de vidro.
Sobre a mesa, espalhados em fileiras ordenadas, estavam os bilhetes — mais de oitenta deles — prontos para virar capítulos.
Cada bilhete era um sopro.
Uma história em si.
Mas juntos… eram um mapa.
Ela colava post-its nas bordas dos manuscritos:
“esse antes do quadro da espiral”,
“esse pode abrir o capítulo da queda”,
“esse é só pra quando o leitor estiver pront