A manhã começou com chuva fina e jazz instrumental baixinho no fundo do ateliê.
Clara sentou-se diante do computador com uma caneca de chá e o caderno de bilhetes aberto ao lado.
As primeiras páginas do livro estavam começando a tomar forma.
Mas ela ainda hesitava.
Escrever sobre o que viveu era como tocar cicatrizes com as pontas dos dedos — você sabe que já não dói, mas sente mesmo assim.
No título provisório, digitou:
INTERVALO – o que ficou quando tudo parou
E abaixo, começou a escrever:
“E