“Algumas manchas não estão na pele.”
No fim da tarde, Silvia acompanhou Viviane até a porta com uma energia nova, quase elétrica, pulsando sob a pele. Se não podia ser amada, Helena também não seria. Com paciência, arrancaria tudo o que fosse importante para ela.
Assim que fechou a porta, subiu as escadas sem pressa. Tomou um banho longo, quase ritualístico. Quando saiu, não se vestiu. Parou nua diante do espelho do quarto, o corpo ainda úmido, os cabelos pingando sobre os ombros.
Seus olhos desceram devagar até o ventre já levemente saliente.
Ali estava a prova.
O que a mantinha de pé.
O que a tornava necessária.
Silvia pousou as duas mãos sobre a barriga, os dedos abertos, como se quisesse moldar o futuro ali dentro. O reflexo lhe devolveu um sorriso torto, quase irreconhecível.
— Você é meu — murmurou, para si mesma… ou para algo que só ela via.
Naquele corpo havia poder. Um poder que Helena jamais teria. Helena tinha talento, tinha amor, tinha brilho — coisas frágeis, voláteis, f