Silvia permaneceu estacada na cozinha. O novo plano latejava em sua mente, pronto para ser executado. Mas havia um problema que a corroía: ninguém contatava Dante. Era ele quem decidia quando, como e quem podia falar com ele. Um fantasma com regras próprias.
Ele tinha um número que usava apenas quando queria falar com ela. Mas ligar para ele era inútil, ficava sempre desligado.
Se Márcio não tivesse “sumido”, ela ainda poderia usar aquele idiota para se aproximar dos capangas. Mas agora? Agora estava só. E precisava pensar. Rápido.
Ela girava o celular entre os dedos, o gesto inquieto traindo seu desespero silencioso.
Precisava apressar as coisas. Mas como?
Se aproximou da porta do escritório na ponta dos pés. Tentou ouvir algo — qualquer barulho que denunciasse o que Cássio estava fazendo. Nada. Silêncio absoluto.
Imaginou, com repulsa, se o cheiro dela — daquela mulher ridícula — ainda pairava naquele cômodo. Até pensar nisso faiscou raiva dentro dela.
Silvia bufou, espreitando como