“Toda vida tem um ponto em que dois caminhos deixam de correr paralelos — e um deles aprende a florescer sem olhar para trás.”
Santiago se recostou no batente da porta que dava acesso ao quintal, segurando um copo de suco que Aurora havia preparado. Seus olhos, porém, não estavam no copo — estavam em Helena.
Ela caminhava de grupo em grupo como se tivesse nascido ali, rindo com as mulheres mais velhas, se curvando para escutar as histórias das crianças, admirando as receitas caseiras como se fossem obras de arte. O sol atravessava as folhas das árvores do quintal e iluminava os cabelos dela, trazendo um reflexo dourado que deixava Santiago momentaneamente sem ar.
Helena tinha uma presença que preenchia espaços. E ali, entre vizinhos e aroma de comida boa, ela parecia… inteira.
Ele observou quando dona Clarice ofereceu a ela um pedaço exagerado de bolo de fubá, e Helena aceitou com a fome quase infantil que ele adorava.
Santiago sorriu sozinho.
Aquela mulher, tão machucada meses antes,